| Sintia さんのプロフィールSintiaフォトブログリスト | ヘルプ |
|
2006/02/25 Linha reta - Cecilia MeirelesNão tenteis interromper o pássaro que voa em linha reta de leste a oeste. Alto e só. Não lhe pergunteis se avista cidades, mares, pessoas ou se tudo é um liso deserto. Vasto e só. Ele não passa para contemplar essas coisas do mundo. Ele vem de leste, ele vai para oeste. Alto e só. Ele vai com sua música dentro dos olhos fechados. Quando chegar ao fim, abrirá os olhos e cantará sua música. Vasta e só. Canção para um Desencontro - Lya LuftDeixa-me errar alguma vez, porque também sou isso: incerta e dura, e ansiosa de não te perder agora que entrevejo um horizonte. Deixa-me errar e me compreende porque se faço mal é por querer-te desta maneira tola, e tonta, eternamente recomeçando a cada dia como num descobrimento dos teus territórios de carne e sonho, dos teus desvãos de música ou vôo, teus sótãos e porões e dessa escadaria de tua alma. Deixa-me errar mas não me soltes para que eu não me perca deste tênue fio de alegria dos sustos do amor que se repetem enquanto houver entre nós essa magia. Texto maravilhoso de Edson MarquesMeu bisavô, no início do século passado, aos 60 anos de idade, abandonou tudo e apareceu por aqui, trazendo no colo uma adolescente para ser sua mulher: uma enorme loucura... Mas ele era um homem rebelde, um homem que não desistia. então abandonou tudo: As propriedades e as impropriedades que a elas se ligam, a esposa controladora, os filhos perplexos, fazendas, noras, netos, e velhas emoções... Tudo por Vitalina: por aquela menina delicada e de cabelos longos ele abandonaria o mundo. Por ela, abandonou cabeças de gado e todas as "certezas" que lhe haviam dado. Jogou fora o velho baú de premissas usadas. Pela possibilidade aberta de uma nova vida, tomou aquelas decisões que só os grandes homens conseguem tomar: montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu! Já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida. Abandonou tudo para não ter que se abandonar, para não ter que abandonar a própria existência. Não fosse por isso eu não estaria aqui, agora. Sou, portanto, bisneto da rebeldia. Bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. E existo, por incrível que pareça! No céu da minha boca não há fogos de artifício. Só estrelas Os versos que te fiz - Florbela EspancaDeixa dizer-te os lindos versos raros Que a minha boca tem pra te dizer ! São talhados em mármore de Paros Cinzelados por mim pra te oferecer. Têm dolência de veludos caros, São como sedas pálidas a arder ... Deixa dizer-te os lindos versos raros Que foram feitos pra te endoidecer ! Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ... Que a boca da mulher é sempre linda Se dentro guarda um verso que não diz ! Amo-te tanto ! E nunca te beijei ... E nesse beijo, Amor, que eu te não dei Guardo os versos mais lindos que te fiz! De um Lado Cantava o Sol - Cecília MeirelesDe um lado cantava o sol, do outro, suspirava a lua. No meio, brilhava a tua face de ouro, girassol! Ó montanha da saudade a que por acaso vim: outrora, foste um jardim, e és, agora, eternidade! De longe, recordo a cor da grande manhã perdida. Morrem nos mares da vida todos os rios do amor? Ai! celebro-te em meu peito, em meu coração de sal, Ó flor sobrenatural, grande girassol perfeito! Acabou-se-me o jardim! Só me resta, do passado, este relógio dourado que ainda esperava por mim . . . Trecho de História do Tempo de Lya Luft“Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura liberdade. Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança. Pelo menos assim quero fazer: a que explode o ponto e arqueia a linha, e traça o contorno que ela mesma há de romper. A máscara do Arlequim não serve apenas para o proteger quando espreita a vida, mas concede-lhe o espaço de a reinventar. Desculpem, mas preciso lhes dizer: eu quero o delírio.” Posso escrever os versos mais tristes esta noite - NerudaPosso escrever os versos mais tristes esta noite.
O vento da noite gira no céu e canta. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu a quis, e às vezes ela também me quis... Em noites como esta eu a tive entre os meus braços. A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito. Ela me quis, às vezes eu também a queria. Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi. Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. E o verso cai na alma como na relva o orvalho. Que importa que meu amor não pudesse guardá-la. A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido. Como para aproximá-la meu olhar a procura. Meu coração a procura, e ela não está comigo A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores. Nós, os de então, já não somos os mesmos. Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis. Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero. É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços, minha alma não se contenta com tê-la perdido. Ainda que esta seja a última dor que ela me causa, e estes, os últimos versos que lhe escrevo. PABLO NERUDA |
|
|||
|
|